Julieduk Condultoria Pedagógica

abril 27, 2011

Interação Adulto/Criança e Criança/Criança na Educação Infantil

Filed under: Uncategorized — julianaced @ 7:43 pm

 

A história da Educação Infantil depois de muitas lutas, inclusive das mulheres em prol de creches para seus filhos, resultou nas normatizações como: Constituição de 1988, LDB/96, ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) que iniciou a regulamentação da educação de 0 a 6 anos e os seus direitos.
Segundo a LDB/96, a Educação Infantil garante às crianças de 0 a 6 anos uma formação voltada às suas necessidades, especificidades, uma vivência plena de suas infâncias , respeito e tolerância às diferenças, oportunização de ricas experiências no interior da creche.
O educar e o cuidar estão imbricados, e são indissociáveis na educação infantil, , não podemos falar em educação infantil, sem falar no toque, no carinho, no afeto com as crianças e em umas com as outras. Como ser apenas racional com a criança, sendo que ela precisa ouvir “vai, você consegue!” ou então um afago, um carinho, um abraço num momento de desentendimento com um amiguinho. Para CERISARA(ano), nesta etapa da vida, para as crianças pequenas a questão da afetividade tem questão de destaque e os sentimentos estão aflorados.
É nessa relação com o adulto (pessoa mais experiente) que a criança aprende. Para Vygotsky (1978) todas as funções psicológicas superiores são semióticamente mediadas e originam-se da internalização das relações sociais envolvendo crianças e membros mais experientes de sua cultura. A criança imita o modo de agir, de reagir, de simplificar os problemas do adulto. Conforme a criança imita, ela é capaz de analisar sua experiência e diferenciar os papéis envolvidos na resolução da tarefa (OLIVEIRA, 1993).
Sabe-se que a criança apreende o mundo por meio das relações e interações que faz com as pessoas, com seus pares (criança/criança), ou seja, na relação com o outro, segundo Vygotsky. Para o autor, só existe conhecimento se existir relacionamentos, interações entre pessoas, e é assim que a criança constrói o seu, apropria-se de práticas culturalmente estabelecidas (regras socialmente impostas pela sociedade), mas também cria estratégias de poder o que buscam para si, segundo Ferreira (2002).
Atualmente é inconcebível considerar a criança parte do processo ensino aprendizagem. É um sujeito que além de construir e ressignificar seus conceitos por meio das suas relações com o meio social, influencia nossa história e a história influencia seu modo de vida.
Pensar na concepção de criança como produtora de cultura é reafirmar tudo o que já foi dito até o presente momento sobre a atuação desse sujeito de direitos. Ao conceber a criança como ser reflexivo e proponente de idéias e ações, o profissional da educação infantil tem condições de garantir um trabalho educativo atraente e que o aprendizado ocorra de forma significativa para a turma e, seus objetivos, traçados no planejamento anteriormente, sejam alcançados.
O professor de crianças pequenas sabe da relevância de uma educação voltada à vivência plena da infância e para tanto, precisa oferecer materiais diferenciados e momentos variados a esse ser de pouca idade, segundo Walter Benjamin (2002). Além de disponibilizar planejamento dos recursos materiais, é imprescindível ele oportunizar momentos dirigidos e livres à turma.
Alguns momentos de brincadeira seriam ocasiões que as crianças fariam de forma livre, sem propostas do professor, o que também é fundamental para a aprendizagem entre pares criança/criança. Nesse espaço, elas têm a oportunidade de vivenciar a fantasia, criatividade, desenvolvendo regras e resolvendo conflitos, enquanto livres, porém se esta brincadeira, segundo SILVA (2001), torna-se meramente pedagógico, pode transformar-se em uma atividade tediosa, sem significado para a criança. O que quer dizer? Vamos transformar os momentos da pré-escola em totalmente livres? De forma alguma. As situações na educação infantil são planejadas, são intencionais, porém nós educadores não podemos nos esquecer que a proposta da educação infantil é não escolarizar, são as vivências das diversas infâncias, o contato com as culturas, aceitar o diferente e o mais importante educar as crianças para o presente e não para o “devir”.
Ainda nas relações díade (criança/criança), nós, profissionais da educação infantil, devemos favorecer momentos, como as brincadeiras de jogos de papéis. Quando a criança diz a outra como utilizar determinado objeto, qual significado de tal gesto, ela age tanto como ator e diretor da cena criada, designando elementos que definem os papéis na situação. O maior domínio lingüístico favorece as crianças mais velhas sugerir atividades, organizar cenários, definir seu próprio papel e do colega e além disso, propor um tema para o espetáculo! (Vygotsky).
O que não podemos nos esquecer é de tratar da criança como sujeito de direitos, ouvi-la sobre sua concepção de mundo, ou seja, dar voz à criança, pois só entenderemos as necessidades dela se dermos vazão aos sentimentos da infância.
Juliana Alves

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